segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Religião X Ciência

Hoje não teremos poesias, tampouco ilusões, paixões à flor da pele.
Hoje teremos um pouco dos meus pensamentos que viajam por esse mundo. Frenquentam assuntos inóspitos. Assuntos que são evitados. Assuntos que conflitam dentro de mim. Pensamentos meus...


***

Fui criado na igreja católica. Batizado, fiz primeira comunhão e crisma. Sou frequentador de missa. Mas sempre me faço uma simples pergunta: será que eu sou realmente católico?
Essa pergunta pode parecer óbvia de se responder. Claro que sou. Sou Católico e ainda por cima praticante, como muitos dizem, apesar de não concordar com essa divisão.
Mas essa resposta não me convence. Não. Eu não me considero católico. Minha mente é questionadora demais pra aceitar dogmas, verdades imutáveis. Não tenho uma venda nos olhos, como alguns milhões e nem aceito tudo sem questionar. Sou um ser pensante.
Vou tentar expressar o que eu penso:
Para chegar no meu trabalho posso fazer vários caminhos diferentes. Alguns mais curtos, outros mais longos, mas todos me levam ao mesmo destino. Vejo religião assim. Todas levam ao mesmo objetivo, apesar das doutrinas e culturas diferentes. Todas tem qualidades e defeitos. Em todas elas há fanatismo. Todas.
E em paralelo à religião vejo a ciência. Como óleo e água que não podem ser misturados. São distintas e trabalham em campos de pensamento diferentes. A igreja erra e erra muito quando tenta transcender essa barreira. Uma muralha intransponível que pune violentamente quem tenta ultrapassá-la.
A igreja católica até hoje se desculpa pelos erros brutais cometidos no passado. Essa igreja, até hoje, - centenas de anos depois - paga um preço alto pela sua tão famosa "santa" inquisição. Cientistas foram censurados, tiveram que desmentir suas teorias e quem não fizesse isso era morto. Muitos foram mortos. Pagaram caro pelos seus estudos.
O tempo provou que esses cientistas estavam certos e aí foi a vez da igreja rever seus conceitos. A "santa" igreja católica teve que se adaptar ao novo mundo. Tornar-se mais tolerante. Aprender a lidar com a ciência que evolui a passos largos enquanto a igreja está acorrentada, imóvel, enraizada em um conservadorismo sem propósito e idiota.
E engana-se quem pensa que a tal inquisição acabou. Ela apenas mudou de forma. Os assassinatos agora são mais discretos. Agora quem morre são os doentes na fila de hospital que esperam desesperadamente a ajuda de Deus. Um Deus que nos deu a inteligência para poder desenvolver estudos com células-tronco, por exemplo, que podem salvar milhares de vidas.
Um Deus que a igreja católica fere quando tenta impedir esses estudos, mais uma vez navegando por mares que não conhece.
O estudo dessas células-tronco nos permite, hoje, usá-las terapeuticamente. São úteis em terapias de combate a doenças cardio-vasculares que são responsáveis por mais de 15% dos óbitos de adultos jovens de 20 à 49 anos. Esses números aumentam significamente quando se trata de pessoas acima de 50 anos. Podem ser usadas também no tratamento de doenças neurodegenerativas, diabetes entre várias outras. E a igreja insiste em ser contra por conservadorismo. Tudo muda o tempo todo. Tudo se move, já dizia Heráclito. Inclusive o mundo.
Talvez daqui a centenas de anos a sociedade ganhe alguns milhares de santos. Talvez a igreja canonize essas pessoas que morreram esperando transplantes ou que se foram na esperança de um dia acharem a cura pra sua doença, achando que isso é uma maneira de se desculpar pela absurda falta de... senso.
E lá de cima do altar, um deus que insistem em manter crucificado, exposto aos olhos do mundo, sangra cada vez mais ao ver os absurdos que são feitos em seu nome.


Sei que esse assunto causa polêmica e muitas pessoas de bem não concordarão. Entendam que esse é apenas o ponto de vista de uma pessoa com uma mente inquieta que gosta de entender como as coisas funcionam. Nada é, tudo está.

domingo, 31 de maio de 2009

O meu amor e o seu

Primeiro um simples beijo
que seja uma faísca para acender o fogo
Meus lábios tocam seus lábios
Sugando as suas energias
Mãos inquietas e involuntárias
Navegam pelo seu corpo
Tateando cada centímetro
Reconhecendo o que é meu
Tiro a sua blusa
Meus lábios saem da tua boca
Percorrem um longo caminho
E encontram-se com seus seios
Lindos. Perfeitos.
A chama já acesa agora arde
Sensação de vazio que preenche
e vai tomando conta
Incessantemente
Seus seios enrijecem
Os lábios continuam a beijá-los
A escuridão não mais existe
As cenas são claras
Não é preciso luz para iluminar
Já está iluminado
Os lábios agora percorrem outro caminho
ainda mais longo
Descem
Seu cheiro é tão bom
Sua pele tão macia
Finalmente chegam ao seu destino
Saboreiam sua intimidade
E que gosto bom
É o amor tomando forma
O amor tornando-se humano
O pecado do prazer
Agora te sinto minha
Entregando-se sem pudor
Rendendo-se ao prazer
Deixando-se ser levada
Na levada da paixão
No ritmo de um amor pleno
E assim a noite continua
Sem fim
Não existe mais nada
Só eu e você
Só o meu amor e o seu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Menino e a Cruz

Buscamos alívo para os nossos problemas.
Algo que nos confortará. Algo que nos livre de nossas angústias.
Muitas vezes buscamos forças do divino.
É apenas uma desculpa para escontrar a força que, na verdade, sempre esteve, está e estará dentro de nós mesmos.

______________________________________________________


O menino e a cruz

Seus olhos fixos na parede
A parece fixa naquele lugar
e fixada na parede uma cruz
crucifixo/.
E seus olhos já não estavam mais tão fixos
As lágrimas já faziam companhia
E não havia mais solidão
Ganhou a companhia de si mesmo
Contemplando a sua reflexão
nada mais fazia sentido ali
nada mais o completava
apenas a completa falta que ele sentia
Falta do que ainda não viveu
A falta do que nunca chegaria.

Fez promessas
Implorou
Mas o silêncio comprovava
que nada o escutava.
Suas mãos trêmulas
Suas pernas finas
Não se sentiam mais a vontade naquele corpo.
Quis então se perder
Desejou não mais perder
Mas perdeu seu tempo
Perdeu duas vidas ou mais
Perdeu sua paz.
Sentiu-se intenso
No silêncio que o restara
O silêncio que foi sempre amigo
No silêncio que ele confiava.

E as respostas não vinham
As incertezas aumentavam
Angustiado
enterrado
derrotado
a Cruz imóvel
fria
não respondia
nem aliviava
permaneceu como sempre estivera
sem ter nada a dizer.
E ele...
insistia em rezar.


Tiago Marins